Notícias

Células-tronco presentes na polpa do dente podem tratar doenças; veja

Pesquisadora explica que o dente de leite e os sisos têm células-tronco com potencial terapêutico para o tratamento de diversas doenças

Células-tronco presentes na polpa do dente podem tratar doenças; veja - Foto: Shutterstock

Quanto vale um dente de leite? Essa é uma dúvida que certamente atinge as crianças que acreditam na lenda da “fada de dente”, e esperam encontrar uma moeda debaixo do travesseiro após perder um dente. Financeiramente, não podemos estimar. Mas, em questão de saúde, esse valor é alto.

Isso porque as células-tronco contidas no interior dos dentes de leite têm um potencial terapêutico de recompor células e tecidos danificados ou perdidos em decorrência de diversas doenças. É o que explica a médica e cientista Karolyn Sassi Ogliari, pós-doutora em Biologia Regenerativa e Células-Tronco.

“Doenças autoimunes como lúpus eritematoso sistêmico, neurológicas como a doença de Huntington e AVC, depressão, periodontites, COVID-19, são alguns dos tratamentos sendo testados com as células-tronco de origem odontológica”, explica Karolyn. 

“Quanto mais jovens as células-tronco coletadas, melhor é o seu potencial regenerativo. A coleta da polpa do dente é mais uma oportunidade de obter um material biológico jovem. Ele poderá servir para uma terapia celular regenerativa futura conforme os resultados dos ensaios clínicos”, afirma.

De acordo com a especialista, as células-tronco da polpa do dente são do tipo mesenquimal. Esse tipo apresenta uma grande capacidade de multiplicação e um risco reduzido de promover rejeição quando utilizadas de uma pessoa para outra. No entanto, Karolyn destaca que a quantidade de células da polpa do dente é menor que a do tecido do cordão umbilical. 

“Do tecido do cordão a gente consegue extrair uma quantidade muito maior de células mesenquimais para começar uma cultura, para expandi-las. A polpa do dente possui um número um pouco menor de células”, compara. “Mas a polpa do dente de leite é uma alternativa muito importante para os pais que não puderam coletar o tecido do cordão umbilical do filho durante o nascimento”, afirma.

Como coletar essas células-tronco?

A obtenção da polpa do dente de leite é um processo não invasivo e que pode ocorrer durante o período de troca dos dentes da criança, entre os 5 e 12 anos. De acordo com Karolyn, é importante coletar as células antes de o dente cair. Já em adultos, existe a possibilidade de coletar nos dentes sisos, no momento da extração. 

“Coletar e armazenar esse material biológico é uma atitude preventiva de quem deseja maior segurança para a família no caso de uma possível necessidade. O papel das células-tronco, tanto as da polpa do dente, como as do tecido do cordão, do sangue do cordão ou de outros tecidos, é de ser uma fonte de material biológico armazenado, que possibilite estudo, correção de alterações e produção de terapias de forma personalizada e específica”, avalia Karolyn.

Você também vai gostar

Doenças

Especialista explica como as medidas curativas auxiliam na qualidade de vida dos pacientes 

Doenças

Confira alguns cuidados que podem ser adotados para evitar enfermidades 

Saúde Mental

Entenda como a inteligência emocional pode resultar em um local de trabalho equilibrado 

Dor

Especialista explica quais cuidados tomar para evitar lesões

Sair da versão mobile