Saúde

Como manter a amamentação depois da licença-maternidade? Especialista explica

Ordenha, armazenamento do leite e adaptação da rotina podem ajudar mães a continuar amamentando após o retorno ao trabalho

Planejamento pode ajudar a manter a amamentação após a volta ao trabalho - Foto: Shutterstock

A volta ao trabalho é um momento que pode trazer muitas dúvidas para as mães que desejam continuar amamentando. Com o fim da licença-maternidade, surge a preocupação sobre como manter a produção de leite, organizar as mamadas e garantir a alimentação do bebê durante as horas de separação.

Mas o retorno às atividades profissionais não precisa significar o fim da amamentação. Com planejamento, é possível adaptar a rotina, organizar a retirada do leite e manter as mamadas nos períodos em que mãe e bebê estiverem juntos.

“O retorno ao trabalho representa uma mudança importante na rotina, mas não precisa significar o desmame. Com planejamento, a mãe consegue organizar os momentos de ordenha e deixar leite para o período em que estará longe do bebê, mantendo as mamadas quando estiverem juntas”, explica a Dra. Carolina Curci, ginecologista, obstetra e consultora da Lansinoh.

É preciso montar um grande estoque de leite?

Uma das principais preocupações antes da volta ao trabalho é conseguir armazenar uma grande quantidade de leite. Porém, segundo a especialista, mais importante do que criar um estoque enorme é encontrar uma estratégia que seja possível manter no dia a dia.

A preparação pode começar antes do retorno. Nesse período, a mãe pode testar a ordenha e entender quanto leite consegue retirar. Também é importante considerar por quantas horas ficará longe do bebê e quem será responsável por oferecer o leite nesse intervalo.

“Não existe uma quantidade de leite que funcione para todas as mães. O planejamento deve levar em conta a rotina da mulher, a idade do bebê e o tempo que eles ficarão separados”, orienta a Dra. Carolina.

Segundo ela, criar uma reserva possível e manter uma frequência adequada de ordenha pode ser mais eficiente do que tentar armazenar grandes volumes de uma só vez.

Como organizar a ordenha durante o expediente?

A frequência da retirada do leite é um dos pontos importantes para a manutenção da produção. Isso acontece porque a produção está relacionada ao esvaziamento das mamas.

Por isso, a mãe pode tentar estabelecer horários para a ordenha durante o expediente, levando em consideração a rotina profissional e o padrão de mamadas do bebê.

Também é importante ter um ambiente adequado, com privacidade e tempo suficiente para realizar a retirada do leite. Esses fatores podem tornar o momento mais confortável e facilitar a continuidade da amamentação.

O que pode atrapalhar a amamentação na volta ao trabalho?

Algumas situações podem dificultar a adaptação à nova rotina. Entre elas estão:

  • Deixar a preparação para a última hora;
  • Não estabelecer uma rotina de ordenha durante o expediente;
  • Ficar muitas horas sem retirar o leite;
  • Tentar criar uma reserva muito maior do que a necessária;
  • Não orientar quem ficará responsável pelo bebê sobre o armazenamento e a oferta do leite;
  • Acreditar que qualquer dificuldade significa que é preciso interromper a amamentação.

A rotina também não precisa ser perfeita. A mãe pode continuar amamentando quando estiver com o bebê e utilizar o leite ordenhado durante os períodos em que estiver trabalhando.

O bebê também precisa se adaptar

A mudança não acontece apenas para a mãe. O bebê também pode precisar de um período de adaptação, principalmente quando outra pessoa passa a oferecer o leite durante algumas horas do dia.

Por isso, testar a nova dinâmica antes da volta ao trabalho pode ajudar. O cuidador pode começar a participar da oferta do leite, enquanto a mãe observa como o bebê reage e faz os ajustes necessários.

“É importante lembrar que cada família vai encontrar uma dinâmica diferente. O objetivo não é criar uma rotina perfeita, mas uma rotina possível e sustentável”, afirma a especialista.

Ela reforça que a volta ao trabalho não precisa significar uma escolha entre carreira e amamentação. “A mãe não precisa escolher entre trabalhar e amamentar: com informação, planejamento e apoio, é possível conciliar as duas coisas”, completa.

 

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