Doenças

Endometriose: atendimentos no SUS sobem 76%, mas diagnóstico demora

Aumento na procura revela demanda reprimida. Especialista explica os desafios do sistema e as novas tecnologias para o diagnóstico e tratamento

Entenda gargalo entre atendimento e diagnóstico de endometriose no SUS - Foto: Shutterstock

O número de atendimentos por endometriose no SUS cresceu 76% recentemente. No entanto, o diagnóstico ainda pode demorar até dez anos.

Essa conta não fecha para milhares de brasileiras. O aumento da procura revela, na verdade, uma grande demanda reprimida.

Muitas pacientes convivem com dores severas por décadas. Elas só agora conseguem acessar o sistema público de saúde.

Gargalo entre a dor e o laudo médico

O principal problema está no descompasso entre demanda e oferta. O Brasil possui poucos profissionais capacitados para diagnosticar a doença.

Segundo o especialista em endometriose, Dr. Thiers Soares, o crescimento da procura revela uma demanda acumulada. “O atraso no diagnóstico ainda persiste e leva anos para ser reduzido”, explica.

Falta braço especializado para atender um país de dimensões continentais. Muitas mulheres enfrentam filas imensas para uma consulta inicial.

Mesmo no atendimento, nem sempre encontram médicos com formação específica. Isso prolonga o sofrimento e o tempo de espera pelo laudo.

Estigma cultural da cólica “normal”

A normalização da dor é um fator cultural muito grave no Brasil. Ouviu-se por décadas que sentir cólica forte é normal na mulher.

Familiares e amigos minimizam os sintomas relatados pelas pacientes. Esse discurso faz a mulher duvidar da sua própria percepção física.

Dr. Thiers ressalta que essa ideia cultural contribui para o atraso. “O estigma cultural ainda prolonga o caminho até o diagnóstico correto”, afirma.

Impactos na saúde mental e fertilidade

A endometriose impõe um silêncio doloroso que destrói o bem-estar. A incerteza sobre o futuro gera ansiedade e insegurança constantes.

O especialista alerta que a doença causa queda drástica na produtividade. “O controle da dor pélvica é fundamental para transformar a saúde mental”, destaca.

Relação direta com a infertilidade

O atraso de uma década no diagnóstico impacta diretamente a fertilidade. Sem o tratamento adequado, a doença continua evoluindo no organismo.

A progressão das lesões pode comprometer gravemente os órgãos reprodutivos. “Quanto mais avançada a doença, maiores os desafios reprodutivos enfrentados”, diz o médico.

O tratamento precoce é a melhor forma de preservar a fertilidade. O diagnóstico tardio retira chances preciosas de intervenção eficaz.

Inovações e o cenário tecnológico em 2026

Em 2026, novas formas de diagnóstico surgem na América Latina. Um teste salivar promissor está em fase inicial de validação.

Dr. Thiers pondera que o exame ainda precisa de comprovação. “Ainda precisamos acompanhar seu desempenho antes de tratá-lo como método definitivo”, explica.

Atualmente, o padrão ouro continua sendo a avaliação clínica detalhada. Exames de imagem com preparo intestinal oferecem a maior confiabilidade.

Cirurgia robótica e visão 3D

A tecnologia robótica trouxe avanços importantes para os casos mais complexos. O principal diferencial é a visão tridimensional real para o cirurgião.

Isso permite visualizar estruturas anatômicas com detalhes impressionantes no console. Os instrumentos robóticos possuem articulações superiores à mão humana.

“Isso torna a execução do procedimento mais precisa e delicada”, afirma o profissional. O resultado é uma cirurgia mais estável e segura para a paciente.

Políticas públicas e o futuro do tratamento

O aumento de atendimentos no SUS é apenas o primeiro passo. O sistema precisa de mais investimento em capacitação técnica especializada.

Precisamos transformar o reconhecimento dos sintomas em soluções de ponta. Somente assim reduziremos a fila de espera de dez anos.

A integração entre tecnologia e políticas públicas é o caminho ideal. O objetivo é garantir saúde e dignidade para todas as brasileiras.

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