Saúde da Mulher

Mais dor, menos escuta: o desafio das mulheres com dor crônica

Especialista explica por que a dor crônica em mulheres é mais comum e por que ainda é minimizada

Mulheres são mais afetadas por dor crônica, mas ainda enfrentam desvalorização no atendimento médico - Foto: Shutterstock

A dor crônica em mulheres é mais frequente do que em homens, segundo dados da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Ainda assim, muitas pacientes relatam que suas queixas são minimizadas no atendimento médico.

O problema envolve fatores biológicos, hormonais e também sociais. Entender essa combinação é essencial para melhorar diagnóstico e tratamento.

Por que mulheres sentem mais dor crônica?

Estudos mostram que diversas condições dolorosas são mais prevalentes no sexo feminino. Entre elas estão:

  • Dor lombar.

  • Dor no ombro e joelhos.

  • Dor orofacial.

  • Enxaqueca (migrânea).

  • Fibromialgia.

Na fibromialgia, por exemplo, a proporção pode chegar a quatro mulheres para cada homem diagnosticado.

Também existem síndromes específicas do sexo feminino, como:

  • Dismenorreia (dor menstrual).

  • Dor pélvica crônica.

  • Dor vulvar crônica.

  • Dor lombar na gestação.

  • Dor do parto.

Esses dados mostram que a diferença não é pontual, mas consistente.

O papel dos hormônios

As diferenças biológicas ajudam a explicar parte do cenário. O estrogênio, hormônio fundamental para a função reprodutiva feminina, influencia a sensibilidade à dor.

Variações hormonais ao longo do ciclo menstrual, da gravidez e até pelo uso de anticoncepcionais podem alterar a resposta do sistema nervoso.

Pesquisas indicam que flutuações hormonais podem aumentar a excitabilidade de células nervosas, tornando o organismo mais sensível a estímulos dolorosos.

Isso significa que a dor não é exagero. É resposta fisiológica real.

Dor minimizada: um problema recorrente

Mesmo sendo mais prevalente e, muitas vezes, mais intensa, a dor crônica em mulheres costuma ser desvalorizada. Relatos indicam que pacientes são frequentemente rotuladas como “emocionais” ou “exageradas”.

Estudos de revisão apontam um paradoxo preocupante: embora as mulheres sofram mais com dor crônica, seus relatos são levados menos a sério.

Em muitos casos, elas recebem:

  • Mais antidepressivos.

  • Menos analgésicos adequados.

  • Encaminhamentos tardios para especialistas.

Essa diferença no tratamento pode atrasar o diagnóstico e prolongar o sofrimento.

Senso comum x ciência

É importante diferenciar percepção social de evidência científica. A ciência já confirmou que diferenças biológicas existem. Isso não invalida a dor feminina, nem a transforma em fragilidade emocional.

A dor crônica é definida como aquela que persiste por mais de três meses. Ela pode ter origem inflamatória, neuropática ou multifatorial.

Quando ignorada, compromete qualidade de vida, saúde mental e funcionalidade.

Quando buscar ajuda?

Se a dor persiste, limita atividades ou interfere no sono, é essencial procurar avaliação médica. O ideal é buscar profissionais que escutem de forma atenta e realizem investigação completa.

Também pode ser necessário acompanhamento multidisciplinar, envolvendo fisioterapia, psicologia e controle medicamentoso adequado.

Dor não é “frescura”. É sintoma. E merece escuta, respeito e tratamento.

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