Saúde

O diagnóstico do seu pai pode ser um alerta? Entenda a relação genética

Histórico familiar de doenças neurológicas pode indicar maior risco em alguns casos

Histórico familiar pode ser um importante aliado na prevenção de doenças neurológicas - Foto: Shutterstock

Receber o diagnóstico de uma doença neurológica em um dos pais costuma despertar uma dúvida imediata nos filhos: afinal, isso significa que eles também podem desenvolver o mesmo problema? A resposta depende de diversos fatores, mas o histórico familiar pode, sim, fornecer informações importantes sobre o risco individual e orientar um acompanhamento médico mais adequado.

Embora muitas doenças neurológicas estejam relacionadas ao envelhecimento e a fatores ambientais, algumas apresentam um componente genético significativo, especialmente quando surgem em pessoas mais jovens ou acometem diferentes integrantes da mesma família.

Segundo o médico Dr. Pedro Andrade, especialista em Medicina de Precisão, pesquisador e fundador do Instituto Genoma, conhecer o histórico de saúde dos pais permite identificar situações em que vale a pena investigar possíveis predisposições hereditárias.

“A genética não determina o futuro, mas oferece informações valiosas sobre predisposições. Quando existe um histórico familiar de determinadas doenças neurológicas, principalmente em parentes de primeiro grau, conseguimos avaliar o risco de forma mais precisa e, em alguns casos, antecipar estratégias de prevenção e monitoramento”, explica.

Nem toda doença neurológica é hereditária

O especialista ressalta que o diagnóstico de uma doença neurológica no pai não significa, automaticamente, que os filhos terão o mesmo problema.

“A maioria dos casos de doenças neurológicas ocorre de forma esporádica, sem uma causa hereditária identificável. O papel da avaliação médica é justamente diferenciar quando existe um componente genético relevante e quando o risco permanece semelhante ao da população em geral”, afirma.

No caso do Alzheimer, por exemplo, a maior parte dos diagnósticos está relacionada ao envelhecimento. No entanto, quando a doença surge antes dos 65 anos ou há diversos casos em diferentes gerações da família, a investigação genética pode ser recomendada.

O mesmo acontece com o Parkinson. Apesar de a maioria dos casos não ser hereditária, variantes genéticas já identificadas pela ciência podem aumentar a predisposição em algumas famílias, principalmente quando a doença aparece em pessoas mais jovens ou em vários parentes.

Já a Doença de Huntington é considerada um dos exemplos mais conhecidos de herança genética. Causada por uma alteração em um único gene, ela apresenta herança autossômica dominante, o que significa que um pai portador da mutação tem cerca de 50% de chance de transmiti-la para cada filho.

Além dessas condições, algumas formas de esclerose lateral amiotrófica (ELA), neuropatias hereditárias, ataxias e outras doenças neurodegenerativas também podem ter origem genética.

Quando o histórico familiar merece investigação?

De acordo com Dr. Pedro Andrade, alguns sinais indicam que uma avaliação especializada pode ser importante:

  • Pai diagnosticado com Alzheimer antes dos 65 anos;
  • Casos de Parkinson em diferentes membros da família;
  • Diagnóstico de Doença de Huntington em um dos pais;
  • Vários familiares com doenças neurológicas semelhantes;
  • Doenças neurodegenerativas surgindo em idades incomuns.

“Esses antecedentes não significam que o filho desenvolverá obrigatoriamente a doença, mas indicam que vale a pena procurar orientação especializada para entender qual é o risco real”, afirma.

O especialista explica que os avanços da Medicina de Precisão permitem integrar testes genéticos, histórico familiar e características clínicas para definir um acompanhamento individualizado. Em muitos casos, o objetivo não é prever que uma doença acontecerá, mas identificar oportunidades de prevenção, diagnóstico precoce e monitoramento personalizado.

Para Dr. Pedro Andrade, conhecer o histórico de saúde da família deve ser encarado como uma ferramenta de cuidado, e não de medo.

“O histórico familiar não deve gerar medo, mas consciência. Quanto mais conhecemos nossa história genética, maiores são as possibilidades de adotar estratégias preventivas, realizar o acompanhamento adequado e oferecer um cuidado personalizado. Na Medicina de Precisão, a informação é uma das ferramentas mais importantes para proteger a saúde das próximas gerações”, conclui.

Leia também: Transtorno alimentar: por que cuidar da mente é essencial para se recuperar.

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