Saúde da Mulher

Saúde vaginal: o que você faz errado sem saber, segundo especialista

Ginecologista explica o que é normal, o que é sinal de alerta e como cuidar da saúde íntima de forma simples e eficaz.

Foto: Reprodução/Shutterstock

Falar sobre saúde vaginal ainda é tabu para muitas mulheres. Mas entender como o próprio corpo funciona é o primeiro passo para cuidar bem dele.

A ginecologista Dra. Thalita Domenich, consultora médica da Libbs Farmacêutica, responde às dúvidas mais comuns sobre o assunto.

O que é a microbiota vaginal?

A microbiota vaginal é um conjunto de bactérias de diferentes espécies que vivem em equilíbrio na vagina. Segundo a Dra. Thalita, ela funciona como um ecossistema vivo que garante proteção natural à região.

“Uma microbiota adequada tem os lactobacilos em maior quantidade, que são as bactérias do bem”, explica a especialista. Essas bactérias produzem ácido lático, mantendo o pH vaginal ácido e evitando infecções.

A vagina não é estéril e cada uma tem um cheiro específico. Isso é completamente normal e não indica nenhum problema de saúde.

Como saber se a flora vaginal está saudável?

A Dra. Thalita explica que sempre existe alguma secreção vaginal. A secreção normal, chamada de fisiológica, não coça, não tem cheiro e é incolor.

Ela pode variar em quantidade ao longo do ciclo menstrual. “É muito comum que ela aumente e fique um pouco mais espessa na época da ovulação, mas isso não indica alteração”, esclarece a médica.

Os sinais de alerta são outros. Corrimento com cor, odor ruim, coceira na região genital e ardência ao urinar indicam que a microbiota pode estar desbalanceada.

Quais são os tipos de infecção mais comuns?

As infecções vulvovaginais são as principais consequências do desequilíbrio da microbiota. Quando causadas por fungo, o corrimento tende a ser branco e espesso, parecido com leite.

Quando a infecção é bacteriana, o corrimento pode ser amarelado, acinzentado ou esverdeado. O odor costuma ser forte e desagradável.

O uso de antibióticos é um fator de risco importante. “Eles eliminam as bactérias ruins, mas infelizmente também destroem os lactobacilos de defesa”, alerta a Dra. Thalita.

Sabonete íntimo: o que é mito e o que é verdade?

Um dos maiores equívocos é lavar a vagina internamente com sabonete. Segundo a especialista, a vagina é autolimpante e não precisa de nenhum produto interno.

O que pode ser lavado é a vulva, que é a parte externa da região genital. Mesmo assim, o produto precisa ser adequado.

“O pH da vagina é muito ácido, entre 4 e 4,5. Usar sabonete com pH neutro internamente vai alterar esse equilíbrio e favorecer o crescimento de bactérias ruins”, explica a médica.

Probióticos para saúde vaginal: novidade com respaldo científico

Uma das novidades mais promissoras no tratamento de infecções de repetição é o probiótico para saúde vaginal. Ele combina duas cepas de lactobacilos que, ingeridos por via oral, chegam até a região genital.

“Se melhoramos a microbiota intestinal, necessariamente melhoramos a microbiota vaginal”, afirma a Dra. Thalita. Além disso, os lactobacilos eliminados durante a evacuação contaminam a região perineal e alcançam a vagina, ajudando a reequilibrar o pH local.

Esse recurso é especialmente indicado para mulheres com candidíase ou vaginose bacteriana recorrentes. O objetivo é prevenir novas infecções, não apenas tratar as existentes.

As três dicas de ouro da especialista

A Dra. Thalita resume em três pilares a prevenção das infecções vaginais.

  • Vestuário. Prefira calcinhas de algodão e evite tecidos sintéticos como lycra no dia a dia. Dormir sem calcinha ajuda a arejar a região e evitar umidade, especialmente em mulheres com infecções de repetição.

  • Alimentação equilibrada. Dietas ricas em açúcar desequilibram a microbiota vaginal e favorecem o crescimento de fungos. Reduzir o consumo de açúcar é uma medida simples e eficaz.

  • Atividade física regular. O exercício reduz o estresse, que é um imunossupressor comprovado. “Pacientes com imunidade fragilizada ficam mais suscetíveis a infecções oportunistas”, explica a médica.

Atenção redobrada com o biquíni!

A Dra. Thalita faz um alerta especial para o uso prolongado de biquíni. Ele reúne dois fatores problemáticos ao mesmo tempo: o tecido sintético e a umidade.

“Isso favorece o crescimento tanto de fungos quanto de bactérias”, alerta a especialista. A orientação é trocar o biquíni assim que sair da água e evitar ficar com ele molhado por longos períodos.

O mesmo vale para leggings de academia e calcinhas de lycra. Sempre que possível, prefira peças de algodão e troque de roupa após o treino.

Você também vai gostar

Saúde

Levantamento ouviu mais de 2 mil brasileiros e também identificou índices de sobrepeso e obesidade entre as entrevistadas

Saúde da Mulher

Sofy chega ao Brasil com o Real Frescor, absorvente que combina tecnologia refrescante, absorção rápida e cobertura suave para reduzir a sensação de calor...

Saúde da Mulher

Médico explica como a retenção de líquidos pode alterar temporariamente o relevo da pele ao longo do ciclo menstrual

Guia da Saúde

Ter dor de cabeça com frequência pode estar relacionado a hábitos, enxaqueca, tensão muscular ou até ao uso excessivo de medicamentos

Sair da versão mobile