Falar sobre saúde vaginal ainda é tabu para muitas mulheres. Mas entender como o próprio corpo funciona é o primeiro passo para cuidar bem dele.
A ginecologista Dra. Thalita Domenich, consultora médica da Libbs Farmacêutica, responde às dúvidas mais comuns sobre o assunto.
O que é a microbiota vaginal?
A microbiota vaginal é um conjunto de bactérias de diferentes espécies que vivem em equilíbrio na vagina. Segundo a Dra. Thalita, ela funciona como um ecossistema vivo que garante proteção natural à região.
“Uma microbiota adequada tem os lactobacilos em maior quantidade, que são as bactérias do bem”, explica a especialista. Essas bactérias produzem ácido lático, mantendo o pH vaginal ácido e evitando infecções.
A vagina não é estéril e cada uma tem um cheiro específico. Isso é completamente normal e não indica nenhum problema de saúde.
Como saber se a flora vaginal está saudável?
A Dra. Thalita explica que sempre existe alguma secreção vaginal. A secreção normal, chamada de fisiológica, não coça, não tem cheiro e é incolor.
Ela pode variar em quantidade ao longo do ciclo menstrual. “É muito comum que ela aumente e fique um pouco mais espessa na época da ovulação, mas isso não indica alteração”, esclarece a médica.
Os sinais de alerta são outros. Corrimento com cor, odor ruim, coceira na região genital e ardência ao urinar indicam que a microbiota pode estar desbalanceada.
Quais são os tipos de infecção mais comuns?
As infecções vulvovaginais são as principais consequências do desequilíbrio da microbiota. Quando causadas por fungo, o corrimento tende a ser branco e espesso, parecido com leite.
Quando a infecção é bacteriana, o corrimento pode ser amarelado, acinzentado ou esverdeado. O odor costuma ser forte e desagradável.
O uso de antibióticos é um fator de risco importante. “Eles eliminam as bactérias ruins, mas infelizmente também destroem os lactobacilos de defesa”, alerta a Dra. Thalita.
Sabonete íntimo: o que é mito e o que é verdade?
Um dos maiores equívocos é lavar a vagina internamente com sabonete. Segundo a especialista, a vagina é autolimpante e não precisa de nenhum produto interno.
O que pode ser lavado é a vulva, que é a parte externa da região genital. Mesmo assim, o produto precisa ser adequado.
“O pH da vagina é muito ácido, entre 4 e 4,5. Usar sabonete com pH neutro internamente vai alterar esse equilíbrio e favorecer o crescimento de bactérias ruins”, explica a médica.
Probióticos para saúde vaginal: novidade com respaldo científico
Uma das novidades mais promissoras no tratamento de infecções de repetição é o probiótico para saúde vaginal. Ele combina duas cepas de lactobacilos que, ingeridos por via oral, chegam até a região genital.
“Se melhoramos a microbiota intestinal, necessariamente melhoramos a microbiota vaginal”, afirma a Dra. Thalita. Além disso, os lactobacilos eliminados durante a evacuação contaminam a região perineal e alcançam a vagina, ajudando a reequilibrar o pH local.
Esse recurso é especialmente indicado para mulheres com candidíase ou vaginose bacteriana recorrentes. O objetivo é prevenir novas infecções, não apenas tratar as existentes.
As três dicas de ouro da especialista
A Dra. Thalita resume em três pilares a prevenção das infecções vaginais.
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Vestuário. Prefira calcinhas de algodão e evite tecidos sintéticos como lycra no dia a dia. Dormir sem calcinha ajuda a arejar a região e evitar umidade, especialmente em mulheres com infecções de repetição.
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Alimentação equilibrada. Dietas ricas em açúcar desequilibram a microbiota vaginal e favorecem o crescimento de fungos. Reduzir o consumo de açúcar é uma medida simples e eficaz.
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Atividade física regular. O exercício reduz o estresse, que é um imunossupressor comprovado. “Pacientes com imunidade fragilizada ficam mais suscetíveis a infecções oportunistas”, explica a médica.
Atenção redobrada com o biquíni!
A Dra. Thalita faz um alerta especial para o uso prolongado de biquíni. Ele reúne dois fatores problemáticos ao mesmo tempo: o tecido sintético e a umidade.
“Isso favorece o crescimento tanto de fungos quanto de bactérias”, alerta a especialista. A orientação é trocar o biquíni assim que sair da água e evitar ficar com ele molhado por longos períodos.
O mesmo vale para leggings de academia e calcinhas de lycra. Sempre que possível, prefira peças de algodão e troque de roupa após o treino.