Doenças

Sepse mata uma pessoa a cada 2,8 segundos: entenda a septicemia

Também chamada de septicemia ou infecção generalizada, a sepse é a principal causa de morte nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI)

Sepse mata uma pessoa a cada 2,8 segundos: entenda a septicemia - Foto: Shutterstock

O Dia Mundial da Sepse (13/09) surgiu em 2012 sob criação da Aliança Global para Sepse (Global Sepsis Alliance). O objetivo da data é aumentar a conscientização mundial sobre a condição, também chamada de septicemia ou infecção generalizada. 

A sepse é a principal causa de morte nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e uma das principais causas de mortalidade hospitalar tardia, superando o infarto do miocárdio e o câncer em todo o mundo, segundo artigo publicado no The Lancet em 2020, com análise de dados de 1990 a 2017. A alta taxa de mortalidade registrada globalmente tem uma incidência alarmante: uma pessoa morre de sepse no mundo a cada 2,8 segundos.

No Brasil, estimam-se que aconteçam 400 mil casos entre adultos e 42 mil entre crianças por ano, dos quais 240 mil adultos e 8 mil crianças vão a óbito, indica o Ministério da Saúde. A mortalidade entre os adultos é, portanto, de 60%.

O que é a sepse?

Segundo o Dr. Arthur Faria, médico especialista em Medicina Intensiva e responsável pela Linha de Cuidado “Reabilitação Pós UTI” na Unidade Recife da Clínica Florence, a sepse é uma resposta desregulada do nosso corpo a algum quadro infeccioso. O quadro pode ser causado tanto após infecção por vírus, como na pandemia de Covid-19, como por bactérias ou até mesmo infecções fúngicas. 

“Essa reação por ser tão intensa e desregulada que causa sérios danos ao nosso corpo, inclusive podendo levar ao óbito. A melhor maneira de evitar e diminuir o risco de adquirir uma infecção é o tratamento adequado”, destaca o especialista. 

Apesar de ser a principal causa de morte nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), a sepse também ocorre fora do ambiente hospitalar. Conforme o médico, os quadros infecciosos graves podem acontecer em qualquer lugar. “Podemos apresentar um quadro de infecção urinária, uma pneumonia ou até mesmo uma infecção de pele e, a depender da evolução e do tratamento, elas podem evoluir para um quadro de sepse”, explica.

Isso porque a sepse se inicia com uma infecção localizada em apenas um órgão, mas que logo se espalha pelo organismo. O médico dá o exemplo de um quadro de infecção na pele: uma lesão que se inicia pequena, depois evolui com edema, aumento da temperatura e vermelhidão no local. 

“Com alguns dias, aparecem alguns sinais de reação sistêmica, como febre e aumento da frequência cardíaca. Se não tratado corretamente, esse quadro infeccioso pode agravar com outras disfunções orgânicas como sonolência, hipoatividade, hipotensão, aumento da frequência cardíaca e respiratória, além de disfunções em órgãos específicos, como rins, pulmões, coração ou fígado”, detalha o Dr. Arthur Faria.

Sinais de alerta

Arthur destaca que todo quadro infeccioso é potencialmente grave. O primeiro ponto de atenção a levar em consideração é o perfil do paciente.  Isso porque pacientes imunossuprimidos, extremos de idades (recém-nascidos ou idosos), portadores de doenças crônicas não controladas e pacientes oncológicos, por exemplo, tendem a ter uma resposta imunológica menos eficaz e tendem a ter mais sequelas pós sepse, com perdas de funcionalidade, necessitando de cuidados adequados após a alta hospitalar. 

“O outro ponto de alerta é o local da infecção. Quanto mais nobre o órgão, maior gravidade o quadro infeccioso tende a ter”, afirma o médico. Segundo ele, os sinais de alerta também incluem a resposta sistêmica, isto é, sintomas como:

  • Sonolência;
  • Confusão mental;
  • Hipotensão;
  • Taquicardia;
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Redução do volume da diurese (urina). 

“Nesses casos é importante procurar um serviço de emergência o mais rápido possível. Quanto mais cedo se der o diagnóstico do quadro séptico e se iniciar o tratamento, melhor tende a ser a resposta do paciente”, destaca o profissional.

Já durante a fase de recuperação, é preciso ficar de olho em sinais de alerta, ou seja, sintomas de que o quadro infeccioso não está evoluindo como deveria. “O reaparecimento da febre, por exemplo, é um sinal de alerta. Uma nova piora clínica, uma piora do estado geral, aquele paciente que estava conseguindo ter mais independência funcional e voltou a perder essa funcionalidade. Nesses casos é muito importante uma reavaliação clínica”, afirma.

Como prevenir a sepse

De acordo com o médico intensivista, quando falamos de prevenção, temos que dividir os quadros infecciosos em dois grupos: aqueles que acontecem em ambientes fora dos serviços de saúde, os da comunidade, e os que internamente acontecem nos serviços de saúde.

“Na comunidade, o principal ponto para evitar a sepse é a prevenção baseada em medidas amplas de saúde pública, principalmente de atenção primária (controle das doenças crônicas, saneamento básico, campanhas de vacinação, saúde mental, entre outras). Nesta esfera, o foco é a promoção de saúde, evitando que a população adoeça”, explica Arthur Faria.

Já em ambientes de assistência à saúde, o destaque é a informação relacionada ao cuidado dos pacientes. “Precisamos de medidas claras para reduzir o número de infecções nesta população. Os hospitais e clínicas já possuem medidas e processos bem definidos, pensados na segurança do paciente. O mais importante deles é a higienização das mãos, uma ação simples, mas com grande impacto na redução das infecções”, destaca o médico.

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