Connect with us

O que você está procurando?

Saúde da Mulher

Ovodoação: o que é e por que a procura cresce no Brasil

A ovodoação cresceu 27,8% no último ano. Entenda como funciona o tratamento, para quem é indicado e como fica o vínculo entre mãe e bebê

Imagem de uma barriga de uma mulher grávida
Entenda o que é a ovodoação - Foto: Shutterstock

A maternidade é um sonho que, muitas vezes, encontra obstáculos biológicos. Nesse cenário, a ovodoação surge como uma alternativa cada vez mais procurada e aceita pelas brasileiras.

Dados recentes do Grupo Huntington, referência nacional em medicina reprodutiva, mostram um cenário de transformação. O número de tratamentos com óvulos doados cresceu 27,8% entre 2024 e 2025.

O que é a ovodoação?

A ovodoação é uma técnica de reprodução assistida onde uma mulher recebe óvulos de uma doadora anônima.

Esses óvulos são fertilizados em laboratório com o sêmen do parceiro da paciente (ou de um doador) e, posteriormente, o embrião formado é transferido para o útero da mulher que deseja engravidar.

É importante destacar que, no Brasil, a doação é voluntária, anônima e altruísta (sem fins comerciais).

Continua após publicidade

A doadora passa por uma bateria rigorosa de exames clínicos, genéticos e psicológicos para garantir a segurança de todos os envolvidos.

Já a receptora é quem vai gestar o bebê, vivenciando todas as etapas da gravidez, do parto e da amamentação.

Por que a procura aumentou tanto?

O crescimento de quase 30% em apenas um ano não é coincidência. Diversos fatores sociais e biológicos explicam essa alta demanda pela ovodoação.

O principal deles é o adiamento da maternidade. Muitas mulheres optam por engravidar mais tarde, priorizando a carreira ou a estabilidade financeira.

No entanto, a reserva ovariana (quantidade e qualidade dos óvulos) cai drasticamente após os 35 anos. Além da idade, outros fatores clínicos tornam a recepção de óvulos a melhor (e às vezes única) alternativa.

Principais indicações do tratamento

A técnica é recomendada especialmente para:

  • Mulheres com baixa reserva ovariana;

  • Casos de falência ovariana precoce (menopausa precoce);

  • Mulheres com histórico de tratamentos oncológicos (quimioterapia ou radioterapia);

  • Mulheres que possuem alterações genéticas transmissíveis;

  • Casais homoafetivos masculinos (em gestação solidária).

“O filho é realmente meu?”

Talvez esta seja a barreira emocional mais comum. A insegurança sobre o vínculo com o bebê é natural no início do processo.

A pergunta “o filho será meu mesmo não tendo meu DNA?” passa pela cabeça da maioria das tentantes.

A resposta dos especialistas, porém, é categórica: sim, o filho é seu. E essa afirmação se sustenta tanto biológica quanto psicologicamente.

Segundo a Dra. Ana Paula Aquino, especialista em reprodução humana do Grupo Huntington, a maternidade não começa no óvulo, mas na decisão de gerar.

“A mulher que engravida por ovodoação vive todas as transformações hormonais, físicas e emocionais da gravidez. É esse processo que constrói o vínculo materno”, explica a médica.

O corpo prepara o vínculo

Durante a gestação, o corpo da mulher que recebe o embrião trabalha intensamente.

É o organismo dela que nutre o feto, fornece oxigênio e cria o ambiente necessário para o desenvolvimento da vida.

Além disso, a interação entre o útero materno e o embrião é única. A mãe sente os movimentos do bebê, conversa com ele e estabelece uma conexão diária ainda no período intrauterino.

Essas experiências sensoriais são fundamentais para a construção do apego, muito antes do nascimento.

Maternidade além da genética

A sociedade está ressignificando o que define uma família. Histórias públicas têm ajudado a normalizar e tirar o estigma do tratamento.

A atriz Viviane Araújo, por exemplo, compartilhou abertamente sua experiência ao engravidar através da ovodoação.

Relatos como o dela mostram que o amor e a parentalidade são construídos na convivência e na entrega, não apenas em sequências de DNA.

Para a Dra. Cássia Avelar, psicóloga do Grupo Huntington, acreditar que o vínculo depende apenas da biologia é um “mito social”.

“A parentalidade e a filiação não são aspectos somente biológicos, pois é o desejo e o discurso dos pais que irá definir o lugar que o filho ocupará na família”, afirma a psicóloga.

Papel fundamental das doadoras

Se de um lado há o desejo de ser mãe, do outro há a solidariedade de quem doa.

Mulheres que escolhem doar óvulos permitem que outras realizem seus sonhos. Recentemente, a atriz Yana Sardenberg tornou pública sua decisão de ser doadora após congelar seus próprios óvulos.

Esse ato de empatia é o que move a engrenagem da reprodução assistida.

A doadora não tem qualquer responsabilidade legal ou parental sobre a criança, mas tem o papel crucial de possibilitar a vida.

Como iniciar o processo?

Se você se identificou com as situações descritas e considera a ovodoação, o primeiro passo é buscar uma clínica de reprodução assistida de confiança.

O processo envolve etapas claras:

  1. Avaliação médica: Análise da saúde geral e reprodutiva do casal.

  2. Apoio psicológico: Fundamental para alinhar expectativas e trabalhar questões emocionais.

  3. Compatibilidade: A clínica busca uma doadora com características físicas compatíveis com a receptora (tipagem sanguínea, cor de olhos, cabelo, etc.).

  4. Preparação do útero: A receptora utiliza medicamentos para preparar o endométrio para receber o embrião.

  5. Fertilização e Transferência: Ocorre em laboratório e, dias depois, o embrião é transferido.

A ovodoação é mais do que um tratamento médico; é uma possibilidade real de amor e constituição de família.

Como reforça a Dra. Ana Paula Aquino, “o que sustenta a maternidade é a presença emocional, o cuidado e a disponibilidade afetiva”.

Se o seu sonho é ser mãe em 2026, a genética não precisa ser o fim da linha, mas apenas um detalhe em uma grande história de amor.

Leia também

Burnout materno: quando a maternidade vira exaustão extrema

Quer engravidar em 2026? 5 dicas para aumentar a fertilidade

Advertisement

Você também vai gostar

Doenças

Estudo publicado em 2026 mostra que a reserva ovariana pode variar entre meninas com a condição e reforça a importância de um acompanhamento individualizado...

Saúde Mental

Felicidade caiu entre brasileiros em sete meses, segundo pesquisa. Entenda os dados, o papel das relações e do trabalho e os sinais de alerta...

Doenças

Especialista explica como as medidas curativas auxiliam na qualidade de vida dos pacientes 

Saúde

Muitas pessoas têm cálculos biliares sem saber. Entenda os sinais, os fatores de risco e quando a cirurgia é indicada para proteger a saúde.