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Alerta: afogamento infantil sobe 40% nas férias

Piscinas domésticas concentram a maioria dos casos e seguem como ameaça subestimada pelas famílias durante o verão

Brasil registra, em média, quatro mortes infantis por afogamento por dia
Brasil registra, em média, quatro mortes infantis por afogamento por dia - Foto: Shutterstock

O período de férias escolares marca também o momento mais crítico para acidentes aquáticos envolvendo crianças no Brasil.

Dados consolidados de 2025 indicam que o país registra, em média, quatro mortes infantis por afogamento por dia, número que se mantém elevado mesmo com campanhas recorrentes de conscientização.

O afogamento continua sendo a principal causa de morte entre crianças de 1 a 4 anos e a segunda entre 5 e 9 anos, revelando um risco estrutural que ainda persiste, sobretudo em ambientes considerados seguros pelas famílias, como casas e condomínios.

Piscinas residenciais lideram os casos

As piscinas domésticas seguem no centro do problema e são responsáveis por 55% dos afogamentos nessa faixa etária.

A maioria dos acidentes ocorre em locais sem barreiras físicas adequadas, como cercas, portões de segurança ou alarmes, além da ausência de supervisão contínua de adultos.

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Durante o verão, a situação se agrava. As férias concentram cerca de 40% das mortes por afogamento registradas na estação, período em que as crianças passam mais tempo em clubes, praias, casas de familiares e residências com piscinas compartilhadas.

Diferenças regionais expõem vulnerabilidades

A gravidade do cenário varia de acordo com a região do país. Estados como Amapá e Amazonas apresentam índices significativamente acima da média nacional, reflexo da maior exposição a rios, igarapés e balneários improvisados.

Já centros urbanos como São Paulo registram taxas menores, associadas à presença de campanhas estruturadas de prevenção e maior acesso à informação.

Apesar dessas diferenças, especialistas alertam que o risco está presente em todo o território nacional e exige atenção constante, especialmente dentro de casa.

Mais lazer, mais responsabilidade

O crescimento do número de piscinas residenciais, a expansão dos condomínios-clube e o aumento da prática esportiva em ambientes aquáticos ampliaram o acesso ao lazer, mas também elevaram a exposição de crianças pequenas a situações de risco.

Esse cenário tem impulsionado o mercado de produtos e serviços ligados ao universo aquático, que passa a assumir um papel mais ativo na prevenção.

Para Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo Multisport, segurança e diversão precisam caminhar juntas:

“A segurança precisa acompanhar o prazer de estar na água. As marcas têm papel direto em orientar famílias, oferecer informação confiável e criar ferramentas práticas que salvem vidas. Por isso estruturamos materiais acessíveis e pensados para a realidade das casas brasileiras”, afirma.

Informação e supervisão salvam vidas

Especialistas reforçam que a maior parte dos afogamentos infantis poderia ser evitada com medidas simples, como:

  • supervisão ativa e ininterrupta de adultos;

  • instalação de cercas e portões de segurança ao redor das piscinas;

  • retirada de brinquedos da água após o uso;

  • educação das crianças sobre riscos aquáticos desde cedo.

Um dos principais desafios é o falso sentimento de segurança. Muitos acidentes acontecem em ambientes familiares, onde os responsáveis tendem a relaxar a vigilância.

Prevenção exige ação coletiva

A discussão sobre segurança infantil em ambientes aquáticos vai além da responsabilidade individual. Envolve famílias, escolas, gestores públicos e empresas, especialmente em um país onde o verão prolongado aumenta a exposição das crianças à água.

Para Jalonetsky, a construção de uma cultura de cuidado precisa ser contínua.

“Proteger vidas faz parte do nosso papel. Queremos que as famílias estejam preparadas para reconhecer riscos e agir com atenção, porque a segurança deve ser prioridade absoluta antes de qualquer diversão na água”, conclui.

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