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Cannabis medicinal pode reduzir o uso de antidepressivos, aponta estudo

Levantamento com mais de 3,5 mil pacientes identificou redução no uso de medicamentos prescritos após o início da terapia; especialista reforça que tratamento exige acompanhamento médico

Estudo analisou mais de 3,5 mil pacientes em tratamento com cannabis medicinal.
Estudo analisou mais de 3,5 mil pacientes em tratamento com cannabis medicinal - Foto: Shutterstock

Um estudo realizado na Alemanha reforçou o potencial da cannabis medicinal como parte do tratamento de diferentes condições de saúde, incluindo transtornos relacionados à saúde mental. Segundo o relatório The Cannabis Barometer Q1 2026, pacientes que iniciaram a terapia reduziram, em média, 84,5% do uso de medicamentos prescritos, como antidepressivos, remédios para dormir e opioides.

O levantamento foi elaborado pela empresa alemã Bloomwell Group e analisou respostas de 3.528 pacientes, além de dados anonimizados de prescrições médicas emitidas entre janeiro de 2024 e março de 2026.

Estudo aponta redução no uso de diferentes medicamentos

De acordo com os dados, 58,9% dos participantes interromperam completamente pelo menos um medicamento que utilizavam antes de iniciar o tratamento com cannabis medicinal.

A redução foi observada em diferentes classes de medicamentos, incluindo antidepressivos, opioides, analgésicos, corticoides, medicamentos para dormir e remédios indicados para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Entre os resultados, um dos destaques envolve os medicamentos para dormir. Segundo o estudo, 93,6% dos pacientes reduziram esse tipo de medicação em pelo menos 50%, enquanto 75,5% deixaram de utilizá-la completamente após iniciarem a terapia.

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Já entre os pacientes que faziam uso de opioides, a redução média foi de 83,9%, sendo que 61% interromperam totalmente esses medicamentos. No grupo que utilizava remédios à base de metilfenidato para TDAH, a diminuição média chegou a 88,4%, com 77,3% relatando a suspensão completa do tratamento.

Leia também: Sedentarismo depois dos 60: riscos, quedas e como o exercício muda tudo.

Especialista alerta para uso responsável da cannabis medicinal

Apesar dos resultados promissores, a médica Juliana Bogado, especialista em canabidiol e tataraneta do cientista brasileiro Vital Brazil, destaca que os dados não significam que a cannabis medicinal deva substituir automaticamente os tratamentos convencionais. “Os canabinoides não devem ser encarados como um substituto automático dos tratamentos convencionais. O que os estudos vêm mostrando é que, para pacientes criteriosamente selecionados e acompanhados por um médico, podem integrar uma estratégia terapêutica capaz de reduzir a necessidade de outros medicamentos e, consequentemente, minimizar alguns dos efeitos adversos associados ao uso prolongado dessas substâncias”, explica.

Segundo a especialista, especialmente em casos de ansiedade, depressão e insônia, qualquer mudança na medicação deve ser feita de forma individualizada e sempre com acompanhamento profissional. “Quando existe indicação para o tratamento com canabinoides, eles não devem ser utilizados com a expectativa de substituir imediatamente antidepressivos ou ansiolíticos, mas como parte de um plano terapêutico que pode, ao longo do tempo e sob supervisão médica, permitir ajustes seguros na medicação”, afirma.

Pacientes também relataram menos efeitos colaterais

Além da redução no uso de medicamentos, o levantamento avaliou a percepção dos pacientes sobre os efeitos colaterais dos tratamentos.

Segundo o estudo, 60,7% afirmaram não apresentar mais efeitos adversos após iniciarem a terapia com cannabis medicinal. Outros 37,9% relataram diminuição desses efeitos, enquanto apenas 1,4% disseram que eles permaneceram iguais ou aumentaram.

Entre os pacientes que deixaram de utilizar opioides, 70,1% também relataram o desaparecimento dos efeitos colaterais associados ao tratamento anterior.

Para Juliana Bogado, embora os resultados sejam animadores, eles reforçam a importância de uma avaliação individualizada. “Cada organismo responde de uma maneira. A decisão sobre iniciar, manter ou reduzir qualquer medicamento deve sempre considerar o diagnóstico, o histórico clínico e o acompanhamento contínuo. O uso responsável dos canabinoides depende de prescrição, monitoramento e de uma avaliação criteriosa dos benefícios e riscos para cada pessoa”, conclui.

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