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Colírio para substituir os óculos de leitura? Entenda como o produto age

Novo colírio promete melhorar a visão de perto por até 10 horas, mas ainda não está liberado no Brasil; oftalmologista explica riscos, indicações e limites do tratamento.

Colírio substitui óculos de leitura? Entenda como ele age
Foto: eternalcreative

Um novo colírio vem sendo estudado como alternativa temporária aos óculos de leitura. Ele é indicado para adultos com presbiopia, a chamada vista cansada. O medicamento melhora a visão de perto por algumas horas, mas ainda não está liberado para uso no Brasil.

A proposta é simples. O colírio ajuda em tarefas que exigem foco de perto, como ler, usar o celular ou ver letras pequenas. Ele não reverte o envelhecimento natural dos olhos nem recupera a capacidade de foco de forma permanente.

Como o colírio reduz a vista cansada

O efeito do colírio está ligado à redução temporária do tamanho da pupila. Essa mudança aumenta a profundidade de foco do olho.

“Esses colírios reduzem temporariamente o tamanho da pupila. Com a pupila menor, aumenta-se a profundidade de foco, de maneira semelhante ao que acontece quando diminuímos a abertura de uma câmera fotográfica. Isso permite que os objetos próximos sejam vistos com maior nitidez”, explica a Dra. Priscila Heleno, oftalmologista do CBV-Hospital de Olhos.

Alguns princípios ativos também agem sobre o músculo responsável pelo foco do olho. Ainda assim, o tratamento tem limites claros.

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“É importante esclarecer que esses medicamentos não recuperam a flexibilidade do cristalino, que é a lente natural do olho, nem interrompem o envelhecimento ocular. Eles produzem uma melhora óptica temporária da visão de perto”, ressalta a especialista.

Quanto tempo dura o efeito

A duração do efeito varia conforme a formulação e o paciente. Versões mais recentes podem melhorar a visão de perto por até 10 horas.

Nos estudos clínicos, o efeito começou a aparecer cerca de 30 minutos após a aplicação. Isso não garante o mesmo resultado para todos.

Idade, grau da presbiopia e iluminação do ambiente interferem na resposta ao tratamento. Confira os fatores que influenciam a duração do efeito:

  • Grau da presbiopia de cada pessoa

  • Idade e características individuais dos olhos

  • Nível de iluminação do ambiente

  • Formulação específica do medicamento usado

“O medicamento age principalmente no próprio olho. Com o passar das horas, ele é metabolizado, sua ação diminui e a pupila retorna gradualmente ao tamanho habitual. Nesse momento, a dificuldade para enxergar de perto volta a aparecer”, afirma a Dra. Priscila Heleno.

Quem pode usar o colírio para presbiopia

O medicamento é voltado a adultos com diagnóstico de presbiopia. A meta é reduzir a dependência dos óculos em atividades específicas.

Nem toda pessoa com vista cansada é candidata ao tratamento. Um exame oftalmológico completo é obrigatório antes de qualquer indicação.

“Esses colírios são indicados para adultos com diagnóstico de presbiopia que desejam reduzir temporariamente a dependência dos óculos em determinadas atividades. Entretanto, nem todas as pessoas com presbiopia são boas candidatas. A indicação deve ser feita após um exame oftalmológico completo”, afirma a oftalmologista.

Mesmo quem pode usar o medicamento não deve esperar milagres. Os óculos continuam necessários em várias situações do dia a dia.

“Eles não curam a presbiopia e não substituem definitivamente os óculos de leitura. Em alguns pacientes, podem diminuir a necessidade dos óculos durante parte do dia. Ainda assim, os óculos podem continuar sendo necessários para letras muito pequenas, tarefas prolongadas, ambientes com pouca iluminação ou após o término do efeito do medicamento”, ressalta.

Riscos e efeitos colaterais do colírio

Nenhum medicamento é livre de riscos. Os efeitos colaterais mais comuns são leves, mas merecem atenção.

Veja os efeitos relatados com mais frequência:

  • Ardência ou irritação após a aplicação

  • Vermelhidão nos olhos

  • Dor de cabeça

  • Visão embaçada

  • Sensação temporária de ambiente mais escuro

Como a pupila fica menor, a visão noturna pode ficar comprometida. Isso exige cuidado extra ao dirigir à noite.

“Também existem relatos raros de alterações na retina, como rasgos ou descolamento, principalmente em pessoas predispostas ou que já apresentam doenças retinianas. O aparecimento repentino de flashes luminosos, aumento de pontos ou manchas na visão, sensação de cortina ou perda visual exige atendimento oftalmológico imediato”, explica a Dra. Priscila Heleno.

As restrições variam conforme o princípio ativo usado. Pessoas com alergia aos componentes ou histórico de inflamação ocular precisam de avaliação prévia.

“O uso sem orientação médica oferece riscos. Esses colírios são medicamentos e não simples lubrificantes. O exame oftalmológico é necessário para avaliar a retina, identificar possíveis contraindicações e confirmar se a dificuldade visual é realmente causada pela presbiopia, e não por catarata ou outra doença ocular”, afirma.

Por que a vista cansada acontece

A presbiopia faz parte do envelhecimento natural do olho. O cristalino, a lente natural do olho, perde flexibilidade com o tempo.

“Com o envelhecimento, o cristalino se torna mais rígido e menos flexível. Dessa forma, o olho perde gradualmente a capacidade de mudar o foco para enxergar objetos próximos. Geralmente, a pessoa começa a afastar o celular ou o texto para conseguir ler, necessita de mais iluminação e pode sentir cansaço visual ou dor de cabeça”, explica a oftalmologista.

Os sinais costumam aparecer a partir dos 40 anos e avançam de forma gradual. É um processo natural, não uma doença.

Óculos continuam sendo opção segura

Diante das novidades, os óculos de leitura seguem como recurso confiável. Eles oferecem correção estável e sob medida para cada pessoa.

“Os óculos de leitura fornecem a capacidade de foco que o olho perdeu e oferecem uma correção estável, previsível e individualizada. Eles podem ser adaptados para leitura, uso de computador ou diferentes distâncias, como acontece com as lentes multifocais”, afirma.

O colírio para presbiopia é uma novidade promissora, mas ainda não substitui os óculos por completo. No Brasil, o produto depende de aprovação para chegar às farmácias.

“Por isso, apesar do surgimento dos colírios, os óculos continuam sendo uma opção importante, segura e eficaz. Para muitos pacientes, permanecem como a principal forma de correção da presbiopia”, ressalta a oftalmologista do CBV-Hospital de Olhos.

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