O futebol é feito de grandes histórias de superação, mas poucas são tão impressionantes quanto a de Ståle Solbakken.
O atual técnico da seleção da Noruega carrega no peito uma marca profunda. Por sete minutos, seu coração parou de bater.
O comandante passou por uma parada cardíaca fulminante quando ainda era jogador de futebol. Ele precisou ser reanimado às pressas e enfrentou 30 horas em coma.
O episódio transformou sua carreira e sua visão de mundo para sempre.
O dia em que o coração parou: “As luzes se apagassem”
O caso aconteceu no dia 13 de março de 2001, durante um treino matinal do FC Copenhagen, na Dinamarca.
O elenco havia acabado o aquecimento quando Solbakken, que era meio-campista, desabou inconsciente no gramado.
“Ele estava clinicamente morto. É um milagre que ele ainda esteja vivo. O coração havia parado de bater”, relembrou o médico do clube, Frank Odgaard.
Durante o atendimento inicial, os médicos da ambulância chegaram a considerar o atleta morto devido ao tempo sem batimentos.
Foram sete minutos de massagem cardíaca intensa até que o coração respondesse. Solbakken chegou ao hospital respirando por aparelhos e só recuperou a consciência 30 horas depois.
Aos 34 anos, após receber o diagnóstico de uma cardiopatia congênita (um problema cardíaco de nascença que nunca havia sido detectado), ele precisou implantar um marca-passo.
Por recomendação médica rigorosa, o jogador anunciou a sua aposentadoria dos gramados.
A mudança de perspectiva e o sucesso no banco de reservas
Sobreviver a um evento dessa gravidade mudou a forma como Solbakken encara a pressão do esporte de alto rendimento. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, ele refletiu sobre o impacto do incidente em sua vida:
“Algo assim definitivamente muda algumas coisas. Quando entro em um treino ou em um jogo, você não pensa nisso; você está completamente focado no que está fazendo e quer vencer a todo custo.
Acho que é depois, quando as coisas se acalmam, que isso me ajudou a diferenciar o que é realmente importante na vida do que não é”, contou Solbakken.
O ex-jogador canalizou sua paixão pelo futebol na carreira de treinador. Ele comandou clubes na Dinamarca, Alemanha e Noruega.
Em 2021, assumiu a seleção de seu país natal. Agora, aos 58 anos, ele alcançou o ápice: levou a Noruega de volta a uma Copa do Mundo após 28 anos de jejum.
Curiosamente, a última participação do país havia sido em 1998, com o próprio Solbakken em campo.
A campanha na Copa do Mundo e o fantasma do Brasil
Hoje, Solbakken lidera a geração mais talentosa da história da Noruega. Na fase de grupos deste mundial, a equipe garantiu a classificação após vencer o Iraque por 4 a 1 e o Senegal por 3 a 2.
Na última rodada, jogando com o time reserva, acabou derrotada pela França por 4 a 1.
O próximo desafio dos noruegueses é contra a Costa do Marfim, nesta terça-feira, às 14h (de Brasília), no Estádio de Dallas, nos Estados Unidos.
Caso vença o confronto de mata-mata, a Noruega avançará para as oitavas de final, onde poderá enfrentar justamente a Seleção Brasileira. Para Solbakken, cada minuto em campo já é uma grande vitória.


































