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Obesidade está ligada a 13 tipos de câncer, alertam especialistas

Excesso de peso aumenta o risco de tumores e pode dificultar o tratamento, segundo especialistas

Obesidade vai além da estética e já é fator de risco para 13 tipos de câncer
Obesidade vai além da estética e já é fator de risco para 13 tipos de câncer - Foto: Shutterstock

O crescimento acelerado da obesidade no Brasil acendeu um alerta importante na área da saúde pública. Especialmente no dia 04 de Fevereiro, que é o Dia Mundial do Câncer.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o número de brasileiros com obesidade aumentou 118% entre 2006 e 2024, um avanço que vai além de questões estéticas e está diretamente ligado ao risco de doenças graves, como o câncer.

Segundo especialistas, o excesso de peso já é reconhecido como fator de risco para pelo menos 13 tipos de câncer, além de agravar o prognóstico e dificultar o tratamento oncológico.

Obesidade e câncer: uma relação comprovada pela ciência

A ligação entre obesidade e câncer é reconhecida pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC). De acordo com a instituição, o excesso de peso está associado a tumores como:

  • Câncer de mama pós-menopausa.

  • Colorretal.

  • Endométrio.

  • Fígado.

  • Rim.

  • Pâncreas.

  • Esôfago.

  • Estômago.

Estudos internacionais indicam que entre 4% e 6% dos casos de câncer podem ser atribuídos diretamente à obesidade, número que tende a crescer com o avanço desse problema de saúde.

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Confira também: “Carnaval com saúde: como evitar infecções durante a folia”.

Como o excesso de peso favorece o desenvolvimento do câncer

Segundo o oncologista Antonio Cavaleiro, coordenador da linha oncológica do Hospital Santa Catarina – Paulista, o impacto da obesidade vai muito além do aumento da incidência da doença.

Alterações no organismo associadas à obesidade

O excesso de gordura corporal provoca mudanças importantes no funcionamento do organismo, como:

  • Inflamação crônica de baixo grau.

  • Alterações hormonais, especialmente no estrogênio.

  • Resistência à insulina.

  • Maior produção de substâncias inflamatórias.

Esses fatores criam um ambiente metabólico favorável ao surgimento e à progressão de tumores.

“Na prática clínica, pacientes com obesidade apresentam mais complicações durante o tratamento, maior dificuldade de resposta às terapias e risco aumentado de efeitos colaterais”, explica o especialista.

Confira também: “Sinais de que seu corpo pode estar inflamado”.

Alimentação ultraprocessada agrava o cenário

Outro ponto central dessa discussão é o padrão alimentar atual. O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras e aditivos, está diretamente ligado ao crescimento da obesidade.

Uma meta-análise publicada em 2023 mostrou que cada aumento de 10% no consumo desses produtos está associado a um crescimento significativo no risco de câncer, especialmente os de mama e colorretal.

O papel da microbiota e da inflamação

Dietas ricas em ultraprocessados podem provocar:

  • Desequilíbrio da microbiota intestinal.

  • Aumento da inflamação sistêmica.

  • Alterações no metabolismo da glicose.

Esses mecanismos favorecem o desenvolvimento tumoral ao longo dos anos.

Obesidade também dificulta o tratamento oncológico

Além de aumentar o risco de desenvolver câncer, a obesidade pode comprometer os resultados do tratamento.

Entre os desafios mais comuns estão:

  • Maior risco de complicações cirúrgicas.

  • Dificuldade no ajuste de doses de quimioterapia.

  • Maior chance de efeitos adversos.

  • Recuperação mais lenta.

Por isso, o acompanhamento multidisciplinar é considerado essencial desde o diagnóstico.

Envelhecimento da população amplia o impacto

A obesidade se soma a outro fator importante: o envelhecimento da população. Dados da IARC indicam que o número global de novos casos de câncer pode crescer 77% até 2050, impulsionado principalmente pela transição demográfica.

No Brasil, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam mais de 700 mil novos casos de câncer por ano, com maior concentração entre pessoas acima dos 60 anos.

Prevenção é parte fundamental do cuidado

Especialistas reforçam que a obesidade é um fator modificável, o que torna a prevenção ainda mais estratégica.

Algumas ações fundamentais incluem:

  • Alimentação baseada em alimentos naturais.

  • Redução do consumo de ultraprocessados.

  • Prática regular de atividade física.

  • Controle do peso corporal.

  • Acompanhamento médico periódico.

“Investir em prevenção, rastreamento e promoção da saúde é essencial para reduzir a mortalidade por câncer e melhorar os desfechos clínicos”, conclui o Dr. Cavaleiro.

Um alerta que vai além do indivíduo

O avanço da obesidade e sua relação com o câncer reforçam a necessidade de políticas públicas, educação alimentar e acesso à informação. Cuidar do peso é, cada vez mais, uma estratégia de proteção à saúde a longo prazo.

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