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Sífilis congênita: como o diagnóstico no pré-natal pode proteger o bebê

Infectologista explica a importância da testagem na gestação, do tratamento adequado e do cuidado com as parcerias sexuais

Foto mostra uma barriga de grávida.
Saiba como proteger o bebê da sífilis - Foto: Shutterstock

Outubro é marcado pela campanha Outubro Verde, de conscientização e combate à sífilis. A iniciativa reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado durante a gestação para prevenir a transmissão da infecção da mãe para o bebê.

A sífilis permanece como um importante problema de saúde pública no Brasil. Muitas vezes silenciosa, a infecção pode atingir gestantes e ser transmitida ao bebê durante a gravidez. Segundo o Ministério da Saúde, foram registrados mais de 24 mil casos de sífilis congênita e 183 óbitos relacionados à doença em 2024.

Segundo o Dr. Fláubert Farias, membro do Comitê de Infectopediatria da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a sífilis é uma infecção curável, mas pode não apresentar sintomas e provocar complicações graves quando não tratada adequadamente.

“A sífilis é uma doença curável, e a transmissão para o bebê pode ser prevenida com o diagnóstico e o tratamento oportunos durante a gestação. Quando a gestante é testada e tratada adequadamente no pré-natal, o risco de transmissão é reduzido. Sem tratamento oportuno, a infecção pode provocar complicações como aborto, parto prematuro e óbito fetal”, explica.

O que é sífilis congênita e como ocorre a transmissão?

A sífilis congênita ocorre quando a bactéria Treponema pallidum, responsável pela doença, é transmitida da gestante infectada para o feto, principalmente por meio da placenta.

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Sem tratamento adequado, a infecção pode comprometer o desenvolvimento fetal e provocar complicações graves. Por isso, o acompanhamento pré-natal é essencial para identificar a doença e iniciar o tratamento o mais cedo possível.

A ausência de sintomas não descarta a infecção. Mesmo quando a gestante não percebe sinais da doença, a testagem permite identificar o problema e adotar as medidas necessárias para reduzir os riscos para o bebê.

Como o pré-natal ajuda a prevenir a sífilis congênita?

A testagem para sífilis deve fazer parte da rotina do pré-natal. A identificação da infecção durante a gestação permite iniciar o tratamento e acompanhar a resposta à terapia.

O infectologista pediátrico destaca que o diagnóstico oportuno é uma das principais medidas para prevenir a transmissão vertical, que ocorre da gestante para o bebê.

Quanto mais cedo a infecção for identificada, maiores são as possibilidades de iniciar os cuidados necessários antes que ocorram complicações. Por isso, começar o pré-natal precocemente e comparecer às consultas são medidas importantes para a saúde materna e fetal.

Por que o tratamento também envolve as parcerias sexuais?

O combate à sífilis não deve se limitar à gestante. A testagem e o tratamento das parcerias sexuais, quando indicados, são importantes para reduzir o risco de reinfecção durante a gravidez.

“O tratamento da sífilis na gestação é feito com penicilina benzatina, medicamento de escolha para tratar a infecção e prevenir a transmissão para o bebê. Também é fundamental que o parceiro sexual tenha acesso à testagem e ao tratamento, quando indicado. Sem esse cuidado, existe o risco de reinfecção da gestante durante a gravidez, colocando o bebê novamente em risco”, destaca.

O cuidado com as parcerias sexuais deve ser acompanhado de orientação profissional e acesso aos serviços de saúde. Dessa forma, é possível reduzir a circulação da infecção e proteger a gestante e o bebê.

Quais são os desafios para controlar a sífilis no Brasil?

Apesar de ser uma infecção curável, o controle da sífilis ainda enfrenta desafios estruturais e socioculturais. O início tardio do pré-natal e as dificuldades de acesso às Unidades Básicas de Saúde podem atrasar o diagnóstico e o começo do tratamento, aumentando o risco de transmissão para o bebê.

Além disso, o estigma associado às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) pode dificultar a procura por testagem e tratamento, tanto por parte das gestantes quanto de suas parcerias sexuais.

A ampliação do acesso à informação, aos testes e ao tratamento é fundamental para enfrentar esses obstáculos. O acolhimento nos serviços de saúde também contribui para que as pessoas procurem atendimento sem medo de julgamentos.

Como ampliar a prevenção da sífilis congênita?

Para o Dr. Fláubert Farias, a prevenção depende de uma combinação de informação, diagnóstico oportuno, tratamento adequado e acompanhamento durante a gestação.

“O maior desafio para combater a sífilis é ampliar o acesso à informação, ao diagnóstico e ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A testagem deve fazer parte da rotina do pré-natal, e o tratamento precisa ser iniciado o mais cedo possível. Também é necessário combater o preconceito relacionado às ISTs e acolher os pacientes, mostrando que é possível tratar a infecção e reduzir os riscos para a gestante e o bebê”, completa o Dr. Fláubert.

A campanha Outubro Verde reforça a importância de manter a prevenção e o diagnóstico da sífilis entre as prioridades da saúde pública. A realização dos testes durante o pré-natal, o tratamento indicado por profissionais de saúde e o acompanhamento das parcerias sexuais são medidas essenciais para reduzir os casos de sífilis congênita e proteger a saúde dos bebês.

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