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Estudo alerta: obesidade pode multiplicar por 4,7 o risco de artrose

Pesquisa mostra que o excesso de peso aumenta a sobrecarga nas articulações e favorece inflamação no organismo

Obesidade
Obesidade eleva o risco de desgaste articular - Foto: Divulgação

O avanço da obesidade no Brasil e no mundo tem impacto que vai além das doenças metabólicas e cardiovasculares.

O excesso de peso também compromete diretamente a saúde das articulações.

Um estudo apresentado pelo American College of Rheumatology aponta que pessoas com obesidade podem ter até 4,7 vezes mais risco de desenvolver artrose no joelho quando comparadas a indivíduos com peso adequado.

Segundo o ortopedista Mauro Meyer, o problema ocorre principalmente por causa da sobrecarga constante nas articulações.

“A cada passo, o joelho recebe uma carga que pode chegar a três ou quatro vezes o peso corporal. Quando há excesso de peso, essa pressão se repete inúmeras vezes ao longo do dia e acelera o desgaste da cartilagem”, explica.

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Por que a obesidade favorece a artrose?

Especialistas apontam dois mecanismos principais que explicam essa relação.

Sobrecarga nas articulações

Articulações como joelho e quadril são responsáveis por sustentar grande parte do peso do corpo.

Por isso, qualquer aumento de carga pode acelerar o desgaste natural dessas estruturas.

“A repetição dessa sobrecarga ao longo do tempo contribui para o desgaste progressivo da cartilagem”, afirma o médico.

Inflamação causada pelo tecido adiposo

Outro fator importante é a inflamação.

O tecido adiposo libera substâncias inflamatórias que afetam o funcionamento da cartilagem.

“Hoje sabemos que a obesidade não é apenas uma questão mecânica. Existe também um componente metabólico que favorece a degeneração articular”, explica o especialista.

Joelho é a articulação mais afetada

Embora diferentes articulações possam sofrer com o excesso de peso, o joelho costuma ser o mais afetado.

Isso acontece porque ele participa de praticamente todos os movimentos do dia a dia, como:

  • Caminhar.

  • Levantar.

  • Subir e descer escadas.

A relação entre índice de massa corporal (IMC) e risco de artrose no joelho é considerada linear.

Ou seja, quanto maior o peso corporal, maior tende a ser o risco de desgaste.

Artrose precoce tem se tornado mais comum

Tradicionalmente, a artrose era associada ao envelhecimento. No entanto, o aumento da obesidade tem mudado esse perfil.

Hoje, especialistas observam casos de desgaste articular em pessoas cada vez mais jovens.

“O que antes víamos principalmente após os 60 anos agora pode surgir mais cedo em pacientes com obesidade”, alerta o ortopedista.

Entre os sintomas mais comuns da artrose estão:

  • Dor nas articulações.

  • Rigidez.

  • Dificuldade para movimentar o joelho.

  • Sensação de estalos.

Perder peso ajuda a proteger as articulações

A obesidade é considerada um fator de risco modificável.

Isso significa que mudanças no estilo de vida podem reduzir o risco de artrose ou retardar sua progressão.

“Reduções mesmo que modestas de peso já diminuem a pressão sobre o joelho e podem aliviar dor e inflamação”, orienta o especialista.

Entre as medidas mais recomendadas estão:

  • Alimentação equilibrada.

  • Prática regular de atividade física.

  • Fortalecimento muscular.

O fortalecimento da musculatura do quadril e do joelho ajuda a melhorar a estabilidade das articulações e a distribuir melhor as cargas durante o movimento.

Quando a cirurgia pode ser necessária

Nos estágios iniciais, o tratamento costuma incluir medidas conservadoras.

Entre elas:

  • Controle de peso.

  • Fisioterapia.

  • Medicamentos para dor e inflamação.

  • Mudanças no estilo de vida.

Em casos avançados, quando há dor persistente e limitação nas atividades diárias, a cirurgia pode ser indicada.

Hoje, tecnologias mais modernas ajudam a tornar esses procedimentos mais precisos.

“A cirurgia robótica de joelho permite maior precisão no posicionamento dos implantes e no planejamento do procedimento”, explica o médico.

Mesmo assim, a decisão deve ser sempre individualizada, levando em conta o grau de desgaste e o impacto na qualidade de vida.

 

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