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Alzheimer pode começar até 20 anos antes dos primeiros sintomas; entenda

Alzheimer começa muito antes dos primeiros esquecimentos. Entenda por que especialistas defendem antecipar a investigação da doença e como novos exames podem ajudar

Alterações cerebrais associadas ao Alzheimer podem surgir anos antes dos primeiros sintomas
Alterações cerebrais associadas ao Alzheimer podem surgir anos antes dos primeiros sintomas - Foto: Shutterstock

Esquecimentos frequentes, dificuldade para lembrar nomes ou confusão com tarefas do dia a dia costumam ser sinais que levam à investigação do Alzheimer. No entanto, quando esses sintomas aparecem, a doença pode já estar em desenvolvimento há muitos anos.

Avanços recentes na medicina mostram que alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer podem surgir até duas décadas antes dos primeiros sinais clínicos. Por isso, especialistas defendem uma mudança na forma de investigar a doença, especialmente entre pessoas com fatores de risco ou comprometimento cognitivo leve.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 57 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência no mundo. O Alzheimer responde por aproximadamente 60% a 70% dos casos.

O Alzheimer começa antes dos esquecimentos

De acordo com Carlos Aschoff, médico geneticista e assessor médico do DB Diagnósticos, o entendimento sobre a doença mudou nos últimos anos.

“O Alzheimer não começa quando a pessoa passa a esquecer compromissos ou nomes. Nesse momento, o processo neurodegenerativo já está em curso há muitos anos.”

As primeiras alterações envolvem o acúmulo gradual das proteínas beta-amiloide e tau no cérebro, consideradas características da doença. Durante muito tempo, essas mudanças só podiam ser investigadas por exames mais complexos, como o PET cerebral ou a análise do líquido cefalorraquidiano.

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Hoje, porém, os biomarcadores plasmáticos ampliam as possibilidades de investigação por meio de exames de sangue.

Exame de sangue pode ajudar na investigação

Os biomarcadores presentes no sangue representam um dos avanços recentes na investigação do Alzheimer. A tecnologia permite identificar alterações associadas à doença de maneira menos invasiva do que alguns métodos tradicionais.

O exame, entretanto, não substitui a avaliação médica.

“Os biomarcadores não substituem a avaliação clínica, mas oferecem uma ferramenta importante para complementar a investigação, principalmente em pacientes com comprometimento cognitivo leve ou quando existe suspeita diagnóstica”, explica Aschoff.

Leia também: Falso diabetes tipo 1? Conheça a doença genética MODY.

Por que descobrir o Alzheimer mais cedo?

Embora o Alzheimer ainda não tenha cura, identificar a doença precocemente pode trazer benefícios para pacientes e familiares.

A investigação antecipada pode ajudar no controle de fatores de risco cardiovasculares, estimular atividades físicas e cognitivas, facilitar o planejamento familiar e financeiro e permitir acesso mais rápido a terapias capazes de retardar a progressão da doença em pacientes elegíveis.

“O objetivo não é antecipar uma preocupação, mas antecipar oportunidades de cuidado”, afirma o especialista.

A investigação do Alzheimer está mudando

Exames de sangue voltados à investigação do Alzheimer começam a ser realizados no Brasil, ampliando o acesso a tecnologias que antes estavam restritas a poucos centros ou dependiam de processamento no exterior.

Para Aschoff, a principal mudança está justamente em não esperar que os problemas de memória interfiram na rotina para buscar respostas.

“Hoje sabemos que esperar os primeiros esquecimentos pode significar perder anos importantes de acompanhamento”, conclui.

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