A busca por praticidade tem feito os chamados produtos fit ganharem espaço na rotina. Shakes, barras de proteína e iogurtes com alto teor proteico aparecem como opções rápidas para quem busca uma alimentação saudável. No entanto, a presença de termos como “fit”, “zero açúcar” ou “alto teor de proteína” no rótulo não garante que o alimento seja saudável.
Segundo Yuri Sato, nutricionista e coordenadora de Nutrição do grupo Care Plus, é importante observar o grau de processamento dos produtos. A especialista recomenda considerar a classificação NOVA e as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira.
Produtos fit podem ser consumidos?
De acordo com Yuri, alimentos industrializados não precisam ser completamente excluídos da alimentação. O ponto principal está na frequência e no contexto em que são consumidos.
Produtos proteicos e outros alimentos industrializados podem fazer parte da rotina de forma pontual. A escolha deve considerar as necessidades nutricionais, os hábitos e a rotina de cada pessoa.
O problema aparece quando esses produtos passam a substituir refeições completas e variadas de forma recorrente.
“Uma regra básica é: dê prioridade a alimentos in natura, como frutas, legumes, verduras e grãos, ou alimentos minimamente processados”, orienta..
O que observar além do rótulo?
Expressões como “fit”, “zero açúcar” e “alto teor de proteína” podem chamar a atenção de quem procura opções mais saudáveis. Porém, elas não devem ser os únicos critérios na hora da escolha.
A recomendação é observar o nível de processamento do alimento. A classificação NOVA organiza os alimentos de acordo com esse aspecto.
Também é importante consultar a lista de ingredientes e as informações nutricionais presentes no rótulo. Assim, o consumidor consegue conhecer melhor o produto antes de incluí-lo na rotina.
Qual é a relação entre ultraprocessados e saúde?
O consumo frequente de alimentos ultraprocessados é associado a um maior risco de problemas de saúde. Entre eles estão obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Essa relação foi apontada no estudo Alimentos ultraprocessados e saúde humana: a tese principal e as evidências, publicado na revista The Lancet.
Isso não significa que todo produto industrializado precise ser eliminado da alimentação. A orientação apresentada no release é priorizar alimentos in natura e minimamente processados dentro de uma rotina alimentar equilibrada.
Planejamento ajuda a evitar o excesso de industrializados
Para quem tem uma rotina corrida, o planejamento alimentar pode facilitar a organização das refeições. Ele também pode ajudar a reduzir a dependência de produtos industrializados por falta de tempo.
O Guia Alimentar para a População Brasileira aponta alguns obstáculos para uma alimentação equilibrada. Entre eles estão a falta de tempo, a perda de habilidades culinárias e a influência da publicidade.
Nesse cenário, o acompanhamento nutricional pode ajudar na mudança de comportamento. A orientação deve considerar o contexto, os hábitos e as necessidades de cada pessoa.
Alimentação saudável vai além de um produto específico
Para Yuri, o mais importante não é dividir os alimentos simplesmente entre “bons” e “ruins”. O objetivo é construir hábitos que possam ser mantidos no dia a dia.
“Produtos proteicos e outros alimentos industrializados não devem substituir, de forma recorrente, refeições completas e variadas”, afirma a nutricionista.
Segundo ela, uma alimentação equilibrada também envolve planejamento, autonomia e valorização da culinária.
“Escolhas saudáveis dependem menos de produtos específicos e mais da construção de uma rotina alimentar equilibrada”, completa.