A influenciadora Ju Isen revelou nas redes sociais que precisou ser internada após desenvolver uma inflamação causada pelo uso de PMMA (polimetilmetacrilato). Segundo ela, a substância havia sido aplicada em 2021 e a reação surgiu anos depois.
“Fiz todos os exames possíveis, inclusive ressonância, e fui diagnosticada com inflamação devido ao produto PMMA. Esse produto é uma bomba-relógio”, afirmou a influenciadora.
O caso reacende o alerta sobre os riscos do PMMA, material que já foi utilizado em procedimentos estéticos, mas que hoje é alvo de preocupação por parte de especialistas devido às complicações que pode causar.
O que é o PMMA?
O PMMA (polimetilmetacrilato) é um material sintético utilizado em algumas situações médicas específicas, mas não é recomendado como preenchedor para procedimentos estéticos devido ao risco elevado de complicações.
De acordo com a dermatologista Dra. Sylvia Ypiranga, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP), trata-se de uma substância definitiva, que não é absorvida pelo organismo.
“Entre as complicações associadas ao PMMA estão nódulos, processos inflamatórios, infecções por micobactérias, granulomas, necrose de tecido e até insuficiência renal e risco de morte por hipercalcinose”, explica.
Complicações podem aparecer anos depois
Segundo a dermatologista Dra. Elizabeth Senra, membro da SBD-RESP, um dos principais problemas do PMMA é justamente o fato de que os efeitos adversos podem surgir muito tempo após a aplicação.
“No início, o produto parecia uma alternativa interessante por oferecer resultado duradouro e custo mais baixo. Porém, com o avanço dos estudos, ficou evidente que ele pode provocar complicações graves e de difícil tratamento, muitas vezes tardias e imprevisíveis”, afirma.
A médica explica que, como o PMMA permanece no organismo, não é possível removê-lo com facilidade caso ocorra alguma reação.
“O principal risco está justamente na permanência da substância no organismo. Em muitos casos, a remoção completa é inviável e as sequelas podem ser permanentes”, alerta.
Quais são os riscos do PMMA?
Entre as principais complicações relacionadas ao uso do PMMA estão:
- Inflamações persistentes;
- Formação de nódulos;
- Granulomas;
- Infecções;
- Necrose da pele e dos tecidos;
- Deformidades;
- Insuficiência renal em casos graves;
- Risco de morte em situações extremas.
Como as reações podem surgir meses ou até anos após a aplicação, muitas pessoas acabam associando os sintomas a outras causas, dificultando o diagnóstico.
Existem alternativas mais seguras?
Hoje, segundo os especialistas, o ácido hialurônico é a substância mais utilizada para preenchimentos faciais por apresentar um perfil de segurança mais favorável.
Por ser biocompatível e absorvido pelo organismo ao longo do tempo, o produto permite correções quando necessário e acompanha melhor as mudanças naturais do envelhecimento.
“O rosto e o corpo mudam com o passar dos anos. Perdemos gordura, colágeno e sustentação. O PMMA não acompanha essas transformações”, explica a Dra. Elizabeth Senra.
Como escolher um procedimento estético com segurança?
Antes de realizar qualquer procedimento estético, a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda que o paciente pergunte qual substância será utilizada, conheça os possíveis riscos e verifique se o profissional possui registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
Segundo a Dra. Sylvia Ypiranga, optar por médicos especialistas em Dermatologia ou Cirurgia Plástica reduz os riscos, já que esses profissionais possuem treinamento específico para indicar o procedimento mais adequado e lidar com possíveis complicações.
Além disso, especialistas orientam desconfiar de promessas de resultados permanentes ou transformações rápidas. Em procedimentos estéticos, segurança e acompanhamento médico devem sempre estar em primeiro lugar.
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