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Por que algumas pessoas têm mais gases do que outras? Entenda

O excesso de flatulência e o inchaço abdominal podem indicar desde hábitos alimentares inadequados até condições clínicas ocultas

Foto mostra uma pessoa com as mãos na barriga.
Saiba quando o excesso de gases é um problema - Foto: Shutterstock

A produção de gases é um processo fisiológico natural e saudável. Estima-se que um adulto saudável elimine gases entre 10 e 20 vezes ao dia.

No entanto, o volume e a frequência variam drasticamente entre os indivíduos. Enquanto para alguns o processo é imperceptível, para outros ele gera desconforto, dor e constrangimento social.

1. A composição da microbiota intestinal

O principal fator para a diferença na produção de gases é o microbioma. O intestino abriga trilhões de bactérias que fermentam os alimentos não digeridos.

Algumas pessoas possuem uma maior concentração de bactérias fermentadoras. Essas colônias produzem subprodutos como hidrogênio, dióxido de carbono e metano em grandes quantidades.

A genética, o uso prévio de antibióticos e o estilo de vida moldam essa flora intestinal de forma única para cada indivíduo.

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2. Hábitos alimentares e sensibilidades

A dieta é o gatilho mais comum. Alimentos ricos em fibras fermentáveis, conhecidos como FODMAPs, são os principais responsáveis. Entre eles estão o feijão, o brócolis, a couve-flor e a cebola.

Além disso, muitas pessoas possuem intolerâncias alimentares não diagnosticadas. A deficiência na enzima lactase impossibilita a digestão do açúcar do leite.

Da mesma forma, a sensibilidade ao glúten ou à frutose pode causar fermentação excessiva no cólon. Nesses casos, o organismo não absorve o nutriente, deixando-o disponível para as bactérias fermentarem.

3. Aerofagia: o ar engolido involuntariamente

Nem todo gás é produzido internamente. Uma parcela significativa do volume abdominal vem do ar engolido durante o dia.

Esse fenômeno é chamado de aerofagia. Pessoas que falam muito enquanto comem, mastigam chicletes frequentemente ou bebem líquidos com canudo tendem a acumular mais ar no sistema digestivo.

O uso de próteses dentárias mal ajustadas e o hábito de fumar também agravam essa condição.

4. Motilidade intestinal lenta

O tempo que o alimento leva para percorrer o sistema digestivo influencia a produção de gases. Pessoas com o trânsito intestinal lento (constipação) oferecem mais tempo para a fermentação bacteriana.

Quanto mais tempo os resíduos permanecem no cólon, maior é a liberação de gases e a sensação de distensão abdominal.

5. Condições clínicas subjacentes

Se o excesso de gases vier acompanhado de dor intensa ou alteração no ritmo intestinal, pode indicar patologias.

Síndrome do Intestino Irritável (SII) e o Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado (SIBO) são causas frequentes de flatulência crônica.

Doenças inflamatórias intestinais e a doença celíaca também devem ser investigadas por um especialista em casos de persistência dos sintomas.

Como minimizar o desconforto?

Para reduzir a produção excessiva, algumas mudanças de hábito são fundamentais:

  • Mastigue bem: A digestão começa na boca. Alimentos bem triturados facilitam o trabalho das enzimas gástricas.

  • Identifique gatilhos: Mantenha um diário alimentar para notar quais alimentos causam mais distensão.

  • Hidrate-se: A água ajuda na movimentação do bolo fecal e previne a fermentação por estagnação.

  • Pratique exercícios: Caminhadas e atividades físicas estimulam o peristaltismo, facilitando a expulsão dos gases.

Quando procurar um médico?

A flatulência isolada raramente é grave. No entanto, procure ajuda profissional se houver perda de peso inexplicável, sangue nas fezes, diarreia persistente ou vômitos.

O acompanhamento com um gastroenterologista é essencial para descartar doenças estruturais e ajustar a dieta de forma segura.

A compreensão dos mecanismos digestivos é o primeiro passo para o bem-estar. O corpo sinaliza suas necessidades através do sistema digestivo, e o equilíbrio é a chave para uma vida sem desconfortos.

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