Connect with us

O que você está procurando?

Guia da Saúde

Saúde do cérebro: por que o metabolismo também importa

Hipertensão, diabetes e sedentarismo estão entre os fatores modificáveis associados ao risco de demência

Profissional de saúde ajudando um senhor idoso em atividades pro cérebro.
Entenda a relação entre saúde do cérebro e metabolismo - Foto: Shutterstock

A prevenção do declínio cognitivo começa muito antes dos primeiros sinais de perda de memória. Novas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicadas em julho de 2026, apontam que até 45% do risco de demência pode estar associado a fatores modificáveis.

Entre eles estão hipertensão, diabetes, inatividade física, tabagismo, consumo nocivo de álcool, isolamento social e exposição à poluição do ar. O dado reforça a relação entre saúde cerebral e cuidados metabólicos mantidos ao longo da vida.

Alexandre Duarte, médico, professor, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do Instituto Avantgard, centro especializado em medicina metabólica e hormonal voltado à prevenção, explica que essa compreensão muda a forma de observar o envelhecimento.

“Quando se pensa em saúde cerebral, é comum olhar primeiro para a memória. Na prática, é preciso observar também o que está acontecendo com o organismo ao longo dos anos, porque o cérebro depende de circulação adequada, oferta de energia e equilíbrio de diferentes funções fisiológicas”, afirma.

Demência também está relacionada à saúde metabólica

Mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência no mundo, segundo a OMS. A doença de Alzheimer representa entre 60% e 70% dos casos.

Continua após publicidade

No Brasil, o Relatório Nacional sobre a Demência estima que cerca de 1,8 milhão de pessoas viviam com a condição em 2019. O documento também aponta que as estimativas nacionais ainda apresentam limitações devido à quantidade de estudos disponíveis.

Parte dessa discussão passa pela saúde cardiovascular e metabólica. Hipertensão, colesterol elevado e diabetes podem afetar a saúde dos vasos sanguíneos ao longo do tempo.

A circulação cerebral também está relacionada ao risco de demência vascular. Por isso, o controle de condições cardiometabólicas aparece entre as estratégias de redução de risco recomendadas pela OMS.

Qual é a relação entre diabetes e saúde do cérebro?

Outra frente de pesquisa investiga como alterações na utilização da glicose e na sinalização da insulina podem afetar o funcionamento do sistema nervoso.

Essa relação é estudada especialmente em pessoas com resistência à insulina e diabetes tipo 2. Porém, as evidências não permitem afirmar que essas condições, isoladamente, provoquem a doença de Alzheimer.

“É importante não transformar uma associação em diagnóstico ou promessa de prevenção. Uma pessoa com resistência à insulina não necessariamente terá Alzheimer, assim como manter a glicemia controlada não significa estar imune à doença. O que podemos fazer é reduzir fatores sobre os quais existe possibilidade de intervenção”, ressalta Duarte.

Atividade física também protege a saúde cerebral

A atividade física aparece entre as medidas recomendadas pela OMS para reduzir o risco de declínio cognitivo e demência.

Além de contribuir para a regulação da glicose, a prática regular ajuda na manutenção da massa muscular e da saúde cardiovascular. A recomendação faz parte de uma abordagem que reúne diferentes cuidados ao longo da vida.

Alimentação equilibrada, abandono do tabagismo e redução do consumo nocivo de álcool também estão entre as medidas relacionadas à redução de fatores de risco modificáveis.

Prevenção começa antes da velhice

Para Duarte, um dos pontos mais importantes é antecipar esse cuidado.

“A prevenção não começa aos 70 anos. Muitas alterações que vão cobrar um preço mais tarde são construídas durante décadas. A melhor estratégia é não esperar uma doença aparecer para começar a acompanhar os marcadores que podem ser modificados”, aponta.

A perspectiva da OMS também considera a redução de riscos ao longo de diferentes fases da vida. A ideia é identificar fatores que podem ser modificados e agir antes que o declínio cognitivo apareça.

Mudanças no estilo de vida não eliminam o risco

Cuidar do metabolismo e adotar hábitos saudáveis pode contribuir para a redução de fatores de risco. Isso não significa, porém, que o Alzheimer possa ser evitado apenas com mudanças no estilo de vida.

Idade, genética, histórico familiar e outros mecanismos biológicos também participam do desenvolvimento da doença.

“A mensagem não é que existe uma fórmula para impedir uma doença neurodegenerativa. É que cuidar do organismo durante a vida também oferece uma oportunidade de proteger funções que serão importantes no envelhecimento. Saúde cerebral não deve começar a ser discutida apenas quando a memória falha”, conclui Duarte.

Como cuidar da saúde do cérebro?

Não existe uma única medida capaz de prevenir a demência. O cuidado envolve diferentes aspectos da saúde.

Entre as estratégias recomendadas pela OMS estão:

  • Praticar atividade física regularmente.
  • Controlar a pressão arterial.
  • Acompanhar a glicemia e tratar o diabetes quando diagnosticado.
  • Manter uma alimentação equilibrada.
  • Evitar o tabagismo.
  • Reduzir o consumo nocivo de álcool.
  • Cuidar da saúde cardiovascular.
  • Manter atividades de estímulo cognitivo e social.
  • Reduzir a exposição à poluição do ar quando possível.

O acompanhamento médico é importante para identificar fatores de risco e definir quais cuidados são necessários para cada pessoa.

A saúde do cérebro, portanto, não deve ser observada apenas quando surgem falhas de memória. Cuidar do metabolismo, da circulação e dos hábitos ao longo da vida também faz parte da atenção à saúde cognitiva.

Advertisement

Você também vai gostar

Saúde

O uso do capacete protege, mas não elimina o perigo das lesões e concussões cerebrais no futebol americano

Alimentação

Bebida contribui para a hidratação e fornece vitamina C, mas não acelera o metabolismo nem promove emagrecimento

Doenças

Sedentarismo, alimentação desequilibrada, estresse e sono ruim estão entre os fatores que podem prejudicar a saúde cardiovascular

Saúde Mental

Felicidade caiu entre brasileiros em sete meses, segundo pesquisa. Entenda os dados, o papel das relações e do trabalho e os sinais de alerta...