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Sofre com fogachos da menopausa? Brasil passa a ter tratamento sem hormônios

Novo medicamento aprovado pela Anvisa oferece alternativa para mulheres que não podem fazer reposição hormonal, incluindo pacientes com histórico de câncer de mama

A aprovação do fezolinetanto representa uma nova opção para aliviar os fogachos da menopausa sem reposição hormonal
A aprovação do fezolinetanto representa uma nova opção para aliviar os fogachos da menopausa sem reposição hormonal - Foto: Shutterstock

Os fogachos, conhecidos popularmente como “calorões”, estão entre os sintomas mais comuns da menopausa e afetam cerca de oito em cada dez mulheres. Além da sensação repentina de calor, eles podem provocar suor intenso, alterações no sono, fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração, comprometendo a qualidade de vida.

Agora, uma novidade aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) amplia as possibilidades de tratamento. O fezolinetanto é o primeiro medicamento não hormonal autorizado no Brasil para aliviar os fogachos associados à menopausa, oferecendo uma alternativa para mulheres que não podem utilizar terapia de reposição hormonal.

Avanço importante para pacientes com contraindicação aos hormônios

A aprovação do medicamento representa um marco principalmente para mulheres que passaram por tratamento contra o câncer de mama. Nesses casos, a reposição hormonal costuma ser contraindicada, mesmo quando a menopausa é provocada precocemente pela quimioterapia, hormonioterapia ou retirada dos ovários.

Segundo a oncologista clínica Susana Ramalho, do Grupo SOnHe, a novidade preenche uma lacuna importante no cuidado dessas pacientes.

“A chegada de um medicamento desenvolvido exatamente para controlar esses sintomas, sem interferir na segurança oncológica da paciente, representa uma evolução importante no cuidado. É uma conquista que impacta diretamente a qualidade de vida dessas mulheres.”

Como funciona o novo tratamento?

Diferentemente da terapia hormonal, o fezolinetanto atua diretamente no sistema nervoso central. O medicamento bloqueia os receptores de neurocinina-3 (NK3), responsáveis pela regulação da temperatura corporal.

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Com isso, ajuda a reduzir a frequência e a intensidade dos fogachos e dos suores noturnos sem utilizar estrogênio, tornando-se uma alternativa especialmente importante para mulheres com contraindicação ao uso de hormônios.

Leia também: Caso da professora em SP: engolir vidro pode matar? Entenda os riscos.

Qualidade de vida também faz parte do tratamento

De acordo com o oncologista clínico Leonardo Silva, também do Grupo SOnHe, o cuidado com os sintomas da menopausa passou a fazer parte da estratégia de tratamento de longo prazo para muitas pacientes oncológicas.

“Hoje, quando falamos em câncer, não pensamos apenas em controlar a doença. Pensamos em como essa mulher vai viver durante e depois do tratamento. Pacientes que permanecem cinco, sete ou até dez anos em hormonioterapia frequentemente enfrentam sintomas que comprometem o sono, o trabalho, os relacionamentos e até a adesão ao tratamento. Quando conseguimos controlar esses efeitos de forma segura, oferecemos mais conforto, mais qualidade de vida e favorecemos a continuidade do tratamento oncológico.”

Segundo ele, aliviar os efeitos da menopausa também pode contribuir para que as pacientes consigam manter o tratamento contra o câncer conforme o planejado.

O que muda a partir de agora?

A aprovação do fezolinetanto representa uma mudança importante na forma como a menopausa é tratada. Além de ampliar as opções terapêuticas, a novidade reforça a necessidade de considerar a qualidade de vida como parte do cuidado integral à saúde da mulher.

Embora o novo medicamento represente um avanço, a escolha do tratamento mais adequado deve ser feita após avaliação médica, levando em consideração o histórico de saúde, os sintomas apresentados e possíveis contraindicações.

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