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Visão preguiçosa: entenda por que ela passa despercebida em crianças

A ambliopia, ou visão preguiçosa, reduz a visão de um olho sem alterar sua estrutura e pode passar despercebida por anos. Entenda as causas, como é feito o diagnóstico e por que agir cedo aumenta as chances de recuperação.

Visão preguiçosa: entenda por que ela passa despercebida em crianças
Foto: marinesea/Getty Images

A visão preguiçosa, nome popular da ambliopia, é uma redução da visão que surge durante o desenvolvimento visual da criança. O olho pode ser estruturalmente normal, mas o cérebro não aprende a usar plenamente a imagem recebida por ele. Por isso, a criança enxerga menos com um dos olhos, mesmo sem “doença” aparente no globo ocular.

Quais são as causas da visão preguiçosa?

As principais causas da visão preguiçosa envolvem situações que impedem o desenvolvimento visual equilibrado entre os dois olhos. Entre elas estão o estrabismo (olhos desalinhados), a diferença de grau entre os olhos (anisometropia) e barreiras à entrada de luz, como catarata congênita e ptose palpebral (queda da pálpebra).

“As principais causas para isso são o estrabismo, que é quando os olhos não permanecem alinhados e o olho que está desalinhado pode ser desfavorecido em relação ao outro; a diferença de grau de óculos entre os olhos, que a gente chama na oftalmologia de anisometropia; e situações que possam impedir a imagem de chegar ao fundo do olho, como catarata congênita ou ptose palpebral, que é a queda da pálpebra”, afirma Mayo Tavares, oftalmopediatra, do CBV-Hospital de Olhos.

Por que a visão preguiçosa passa despercebida

Um dos grandes desafios da visão preguiçosa é que ela costuma ser silenciosa. Como a criança usa o olho dominante para enxergar bem no dia a dia, ela pode não perceber a diferença entre os olhos e não apresentar queixas. Em muitos casos, nem professores ou familiares notam o problema.

“Um dos grandes desafios é que ela pode passar despercebida. Até a professora da escola pode não perceber esses casos, porque a criança vai enxergar muito bem com o olho dominante. Então, ela pode não ter nenhuma queixa por conta disso”, alerta o oftalmopediatra.

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Como é feito o tratamento da visão preguiçosa?

O tratamento da visão preguiçosa depende da causa e tem como objetivo garantir que o olho receba uma imagem nítida e estimular o cérebro a usá-lo. Em muitos casos, o primeiro passo é a correção óptica com óculos, o tratamento do estrabismo ou a correção de obstáculos como a catarata.

“O tratamento depende da causa. Primeiro, a gente precisa garantir que o olho receba uma imagem adequada. Isso pode envolver a prescrição de óculos, o tratamento do estrabismo ou a correção de alterações, como a catarata, por exemplo. Nos pacientes com estrabismo, a gente prefere tratar a ambliopia antes de operar o estrabismo”, explica Mayo Tavares.

Quando há diferença de visão entre os olhos, uma estratégia comum é o uso de tampão no olho dominante para forçar o cérebro a usar o olho mais fraco. Outra opção é a penalização do olho de melhor visão com colírios, que embaçam temporariamente a visão desse olho.

“Quando existe diferença de visão entre os olhos, a gente pode estimular o olho com pior visão. É o que fazemos com o tampão no olho dominante, ou seja, no olho com melhor visão, fazendo com que o cérebro utilize mais o olho não dominante, que é o olho amblíope”, detalha o médico.

“Em alguns pacientes, a gente pode usar outras estratégias, como a penalização do olho de melhor visão com colírios. É um colírio parecido com aquele que usamos para dilatar a pupila e que, nesse caso, é utilizado para embaçar a visão do olho dominante e estimular o outro olho. Também existem alguns recursos ópticos, mas todo tratamento deve ser feito com acompanhamento de um oftalmologista”, afirma.

Quando procurar um oftalmologista?

A visão preguiçosa tem maiores chances de reversão quando identificada cedo, idealmente nos primeiros anos de vida. A avaliação oftalmológica deve começar já nos primeiros meses e seguir com consultas de rotina na infância.

“Quanto mais cedo identificarmos a ambliopia, maior a chance de recuperação e mais fácil tende a ser o tratamento. A avaliação deve começar já nos primeiros meses de vida. No mundo perfeito, o ideal é uma consulta oftalmológica com cerca de 30 dias de vida, uma nova avaliação até os 12 meses e, depois disso, consultas anuais. Caso a criança não tenha feito esse acompanhamento, uma avaliação na fase pré-escolar é fundamental”, orienta Mayo Tavares.

Apesar da crença antiga de que a visão preguiçosa só pode ser tratada em idades muito precoces, crianças maiores e adolescentes também podem responder ao tratamento.

“Existe uma ideia antiga de que, depois de determinada idade, não é mais possível tratar a ambliopia. Hoje a gente já sabe que isso não é verdade e que crianças maiores e até adolescentes ainda podem se beneficiar do tratamento. No meu consultório, por exemplo, trato pacientes com ambliopia até os 14 anos de idade”, afirma o oftalmopediatra do CBV-Hospital de Olhos.

A principal orientação para os pais é não esperar a criança reclamar de dificuldade para enxergar.

“Em resumo, a principal mensagem para os pais é: não espere a criança dizer que está enxergando mal. Muitas vezes ela não sabe que existe uma diferença entre os olhos, porque sempre enxergou daquela maneira. Uma avaliação precoce pode identificar um problema silencioso e evitar que uma deficiência visual tratável se torne permanente”, conclui Mayo Tavares.

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